sábado

Projecto de Felicidade (2)

O que é a felicidade? Para mim, não se define, não é possível, apenas se sente, quando ela surge não há como não perceber... Acredito que mais do que a genética a nossa felicidade é decidida por nós, sob a forma como pensamos e agimos. Mas como alcançá-la? O que podes fazer para ser mais feliz? Acredito também, como Epicuro, que devemos exercitar o que nos faz sentir mais felizes... Sabes o que precisas exercitar? Um dos factores que preciso de exercitar é a minha capacidade de adaptação à adversidade, às situações menos boas que me poderão conduzir à frustração e por consequência a pensamentos e actos que me tornam menos feliz... Para exercitar podemos decompor em pequenos pensamentos e acções onde isso se verifica e colocar objetivos de melhoramento... Quando exercitamos podemos falhar e não te preocupes se os outros não entendem ou não te apoiam, o projecto é teu... Mas acima de tudo não te recrimines por isso, compromete-te a fazer melhor para a próxima...
Já refletiste num? Podes começar apenas por um...

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sexta-feira

Projecto de Felicidade

Já pensaste no teu? Vamos pensá-lo juntos? O teu será consideravelmente diferente do meu, diferentes valores, situações, interesses... mas acredito que a partilha nos permita chegar mais longe... Nada como começar... O que queres da vida afinal? Já pensaste nisso? O que podes melhorar, mudar? A tua vida é A, mas é essa que queres? Tu és essa pessoa? Tudo se resume a isto? Percebes o que tens, o que és? Dás valor? Como lidas com as contrariedades do dia-a-dia? O que realmente te interessa, o que é importante para ti? Se sentes que não és tão feliz como poderias ser, só tu podes fazer com que ela se altere...

terça-feira

O que é realmente importante?

"As espécies que sobrevivem não são as mais fortes, e sim as que rapidamente se adaptam às novas condições" Darwin


Só desistas do que é importante depois de morreres a tentar... Mas no momento em que não conseguires sentir qualquer sinal vital, não percas muito tempo no velório... Segue em frente e deixa o que está vivo comandar. 
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domingo

Perspectiva...

Não, não está tudo mal. Não está tudo mal quando queres apanhar sol e amanhece a chover, não está tudo contra ti quando te sentes magoada/injustiçada com as atitudes de outro alguém, não está tudo mal quando te apetece ver o mar e estás no deserto... Aprende que há momentos que tu não controlas, há coisas que tu condicionas e há alturas que tudo depende das tuas escolhas... Não, não está tudo mal, aprende que o que queres tem de ser tangível no momento e acima de tudo saboreado... aprende que as tuas atitudes influenciam as dos outros, mas apenas enquanto o outro o permite ou deseja e definitivamente não te culpes por um casaco que não te serve. Depois há as escolhas, onde só tu és responsável por permitires, por aceitares, por continuares, por não mudares, por não escolheres o que realmente queres para ti.
Estes são aqueles pilares básicos da educação, mais do que se come de boca aberta ou fechada, se se senta direito... a educação é isto... ensinar o que podemos escolher, o que temos de escolher e como nos devemos adaptar... Se isto não for ensinado na infância terás de encontrar as respostas ao longo da vida, nas cabeçadas de cabeça grande... Doem mais, mas aprendemos que não está tudo mal... É tudo uma questão de perspectiva..

sábado

Conforto

Conforto para mim é sinônimo de estar inteiro, pleno, inalcançável e inatingível em cada gota de momento que se esgota. É não querer... não querer chegar, nem partir. É parir o instante e nele se esgotar.
Adaptado de Mônica Montone

quarta-feira

É tão bom não ter nada...

Quando se descobre que o nada pode ser infinitamente melhor que um punhado de não-sei-quê, toda e qualquer queda se torna uma oportunidade.(...) Não tentaríamos ser o que não somos para agradar aqueles que apenas observam o mundo de longe sem nunca se terem lambuzado por completo em seu sabor agridoce. (...) Tudo ou nada (...) é nesses dois polos que a vida emerge e acontece de facto. E eu sou feita de vida e sei que o que se quer da gente é coragem.
Adaptado de Mônica Montone

segunda-feira

Já?

Já te perdoaste? Daquilo que dizes que querias, daquilo que fizeste de errado, daqueles que trataste menos bem do que deverias? O que fizeste para isso? Por vezes só fazemos o que podemos, mas chega a uma altura que podemos ser aquilo que queremos, sem nos lamentarmos do que permitimos, e procuramos ser aquilo que realmente queremos... Quando não brilha mais não insistas, troca a lâmpada e escreve a tua história, aquela que queres contar um dia. E por mais que possa parecer estranho, nós podemos sempre mais! 

sábado

Simples

Tão simples... mas por vezes as pessoas só conseguem olhar para si mesmas... Quando ajudamos os outros estamos a fazer bem a nós mesmos... Será tão difícil entender isto? Se há algo na vida que acredito é que algures no tempo perceberemos isso... Faz hoje alguém sorrir, se estiver nas tuas mãos, mas faz por ti, faz para te sentires mais feliz porque possibilitaste alguém de o ser... Acredita que valerá a pena... Se por alguma razão ainda não consegues perceber isto, começa a trabalhar isso em ti, nunca é tarde...

sexta-feira

Menina... Mulher

Vai menina, fecha os olhos.Solta os cabelos.Joga a vida. Como quem não tem o que perder.Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai,esquece do mundo.Molha os pés na poça.Mergulha no que te dá vontade.Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir.Sonha que é de graça.Não espere. Promessas,vão e vem.Planos,se desfazem.Regras,você as dita.Palavras,o vento leva.Distância,só existe pra quem quer.Sonhos,se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia,pra sempre.E o que importa você sabe,menina.É o quão isso te faz sorrir.E só. Caio Abreu

quinta-feira

"ela é assim"

Acordei cedo ou melhor dizendo mal dormi e voltei a dar com a canela na ponta da cama… tenho de me lembrar de fazer alguma coisa nestes percursos noturnos que me vão deixando mazelas iguais às já permanentes noutras partes do corpo… tomei um duche rápido, engoli o café (odeio isso, gosto daquela rotina matinal de me encostar à maquina e ao mesmo tempo que oiço o café sair, sinto o cheiro a encher a cozinha). eles ainda dormiam, suados da noite quente que nem senti… gosto de os olhar, grandes, chegam a parecer gigantes como se o tempo não tivesse passado… passou… logo de seguida me lembro de como passou, cada centímetro, cada momento… ela coça o olho e suspira, ao contrário dele que acaba por abrir os olhos e dizer, até amanhã mãe… “amanhã?” “sim, só nos vemos amanhã…”, volto de novo e passo a ronda do mimo que me falta nas suas curtas ausências... ela ainda diz..."não fiques triste, a vida é assim”… eu sei filha, teimo apenas em não me habituar a estas rasteiras, mas estou mais forte, cada dia mais forte, mesmo cansada, mesmo que não consiga beber o café e sentir cada cheiro, mesmo que não tenha como fazer escorrer as lágrimas, sei que estou mais forte, porque preciso, porque precisamos todos que eu assim esteja… pego no telefone e estás bem… respiro… malas, roupas, tudo no carro… antes de fechar a porta penso, “a vida… mesmo que ela te vire as costas, te fuja das mãos, queira brincar contigo às escondidas, nunca lhe vires as costas e se treinares bastante, chegarás primeiro ao coito depois de lhe piscares o olho”. 

quarta-feira

Vive!

Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

segunda-feira

Tenta...

Sabe bem quando alguém te diz "tenta de novo"... Há dias difíceis, semanas, meses, anos... Vidas... Mas depois há vozes e mãos que te tocam no ombro e te sopram "tenta de novo"... Porque perdemos o rumo, desencaixamos, abrimos os olhos e está tudo baralhado... A vida andou e nós ficámos esquecidos naquela esquina onde as paredes nos impedem de progredir... "Tenta de novo"... E aí suspiramos... Entrelaçamos os dedos noutros que encaixam e puxam e nos elevam mesmo que devagarinho ao melhor que podemos ser... Esse "tenta de novo" é um acreditar que nos liberta do chão onde estávamos acimentados e as borboletas batem as asas alterando toda a perspetiva... Conheces o "tenta de novo"? Se sim, nunca lhe vires as costas, pois desses vais ouvir tão raramente que se te cruzares com ele, dá-lhe um abraço e deixa-te ficar.

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domingo

Enrolada

Não sei se deveria confessar isto, pois talvez não aconteça com a maioria das pessoas... mas esta noite a vida chamou-me para conversar... Não gosto quando isto acontece pois sei que por alguma razão ela acha que ando a fazer algo com o qual ela não está muito satisfeita... Compreendo-a, eu própria por vezes também tenho vontade de a chamar para conversar, mas ela raramente está disponível para me ouvir, ou talvez seja eu que ainda não sei como me fazer ouvir... Mas eu acato sempre os seus pedidos, de escuta, nem sempre consigo entender todas as palavras ou sinais e acabo por grande parte das vezes fazer aquilo que temos mais prática, "ouvidos moucos"... Mas desta vez, consegui decifrar alguns dos pequenos grandes argumentos que ela a todo o custo e calma me tentou mostrar... confesso que apenas consegui adormecer já o sol espreitava... Ficou ainda muito por entender, mas acho que nos estamos a começar a entender... Podes-me chamar em breve novamente, para mais uma conversa quentinha?

sexta-feira

Shiuuuuuu

Já decidiste? Sem ver... Esse é o ponto onde estamos, sentindo sem cruzar olhares, apenas sentido o que o vento nos trás... Sentes? Mas sentes mesmo? Queres mesmo? Tentas mesmo? És ou finges? Não vejas, sente apenas... E responde, nem que seja em silêncio...

quinta-feira

Escolhas...

Descobri que há lutas que já não quero ter, que há momentos em que temos de aceitar simplesmente o que a vida nos teima em mostrar e fechamos os olhos como num espirro e fica tudo baralhado... Mas a verdade é que ao fim de vários espirros, aprendemos, crescemos ou lá como chamam os adultos que o mundo não desaparece nos segundos em que o inevitável acontece... Há passos que caminham juntos porque é por aí o caminho, porque é verdadeiro, de olhos bem abertos ou bem fechados... Descobri tanta coisa no ultimo ano, que agora a arrumação em gavetas bem organizadas vai levar o seu tempo... Vai haver outros espirros, vai haver outras revelações... Mas acima de tudo descobri que podemos pintar a vida como quisermos e eu já escolhi a cor... Sim, é essa. Aquela que nós sabemos... Sim, ‪#‎coisasboasacontecem‬ ‪#‎permitete‬

Perda...

Em algum momento da vida temos de lidar com a perda, todos nós... normalmente não estamos preparados para o fazer e muitas das vezes seguimos caminhos errados para lidar com ela... sim, porque lidar é a palavra e o que acabamos por fazer é escondermos-nos dela, fingir que ela não aconteceu, que somos mais fortes que ela, sem nunca nos permitirmos olhar para ela nos olhos... essa é a única forma verdadeiramente consciente de a integrar em nós e nos possibilitar continuar a caminhar num passo equilibrado e humano.
Perdemos muito, tanto... amigos, família, sonhos... amores no fundo, que quando se perde, seja a vida que nos assalta, sejam escolhas, fazem cortes profundos... Uns adormecem, tomam comprimidos para não sentir, escondem a cabeça e levam na boca cada pedaço dessa perda e enterram... mas há ventos, tempestades, chuvas fortes e mais cedo ou mais tarde, o que morava escondido, está sentado ao nosso lado no sofá, lá em casa, naquele sitio seguro que deixa de o ser de um momento para o outro... Lidar com a perda pode ser complicado, mas dificil mesmo é não lidar, não nos emocionar, não chorar o que nos apetece, não nos permitirmos ir onde temos de ir para a sentir, a transformar para ela poder viver connosco em paz... como disse é complicado, mas é possível e nada há de mais salutar do que a viver intensamente para a resolver em nós. As nossas perdas nunca nos deixam, vivem sempre connosco, apenas temos de aprender a viver com elas, pois esse é o segredo... o amor nunca morre, nunca se vai embora, nunca se apaga, mas para isso não o podemos deixar partir (ou tentar mandá-lo embora). Se é amor é para sempre e torna essas perdas imortais, pois continuam a viver em nós, mas agora de uma forma terna e calma... em amor, pois só o amor é sentido como perda, o resto, são apenas arestas que se vão limando com a vida, aprendizagens, experiências... Gosto de acreditar que todos os dias o aprendo a fazer melhor, a viver com cada uma, a aceitar como parte daquilo que sou e com a enorme felicidade de a poder ter vivido e me ter ajudado a transformar naquilo que hoje sou.

quarta-feira

Preciso...

Preciso de momentos em que a vida tenha vontade de ser vivida, mas vivida por dentro, como quem (re)nasce... em que se coloca em perspetiva o que se viveu e que se entende o tanto que ainda a vida chama para viver... para queimar, para deixar de pensar com as borboletas na cabeça e dar silêncio para ouvi-las no coração... sim, porque elas quando existem não se restringem à barriga, ela percorrem tudo e precisamos de tempo e calma para as sentir (ou não) em cada centímetro que as deixamos existir... a vida, aquela vivida a sério, só me faz sentido com elas, sem elas não há metamorfose e seremos sempre lagartas à espera... à espera não sei de quê... descobri que é esse som, do bater das asas, que me faz mover e sem ele, apenas oiço o rastejar... talvez por isso é que gosto tanto quando me sinto a voar... esses são os momentos que valem a pena (re)nascer...
Vamos voar?

quinta-feira

Now

Hoje apetecia(s)-me. Porque sim, porque era agora a hora, porque amanhã é sempre tarde demais. Era hoje, à beira, onde o cheiro domina e os olhos se tocam. Amanhã é tão diferente... Não é hoje...

terça-feira

Olhar

Quando nos deparamos com alguém como nos guiamos? Como interpretamos os sinais que se escondem por detrás das palavras? Cada dia as pessoas se mascaram com palavras bonitas, com frases decoradas, relidas e ouvidas de outras bocas, porque sabem bem de ouvir, porque são aceites, porque fazem sentido a quem as ouve, porque encanta, seduz... São apenas palavras, as acções, as atitudes, essas só mais tarde se vão vendo, sentindo, descobrindo, vamos conhecendo as pessoas através delas, pois só essas representam algo palpável do que cada um é cada de SER a cada momento, nos bons, nos maus, nos difíceis... Pode levar meses, anos, até conhecermos realmente alguém, ou pode levar uma vida inteira e nunca temos a certeza de quem sinceramente o é... Então como vamos descodificando sinais? Cada um terá a sua técnica, melhor ou pior, mais fidedigna ou nem tanto... Para alguém observador ou não, pode treinar esses sinais. Como? Não há receitas, mas acredito que todo o nosso corpo as mostra, embora acredite que há duas partes que nos ajudam a descodificar melhor... Não sendo eu exemplo para ninguém, pois sou uma desconfiada por natureza, centro-me no sorriso e no espelho da alma, o olhar. Há muitos tipos de sorrisos, que se estivermos atentos dizem tanto, mostram muito do que no fundo habita. Mas o olhar esse é o mais fiel, aquele que mostra tudo, mostra ansiedade, respeito, amor, desejo, dúvida, mentira, honestidade, confiança, esperança, medo... Mesmo que espelhado lá no fundinho da alma, ele acaba iluminando o que somos por dentro. Passo horas a escutar e a perceber como o olhar se comporta... Se já me enganei, sim, muitas vezes, mas acredito que tudo não passa de um aperfeiçoamento da técnica que se esconde lá no fundo de um olhar.

segunda-feira

Colos...

Há colos que não têm sabor apenas, têm cheiro, têm envolvência, têm suporte, têm disponibilidade, têm confiança, têm honestidade, têm interesse, têm escuta, têm voz, têm acima de tudo certeza. Depois deixam fome, deixam sede, deixam saudade, mas acima de tudo deixaram-me a mim, assim como sou, com tudo aquilo que tive a capacidade e tempo de aprender. Sabes pai, ainda hoje aprendo contigo, consigo contigo, acredito contigo, te levo comigo e sou, tu em mim.

sábado

Parva (s)

Passo muito tempo a pensar em coisas parvas, daquelas mesmo parvas que me faz sentir mais parva quando dou conta de tanta parvoíce que me passou pela cabeça. Questiono-me se isso fará de mim uma pessoa parva... Penso por exemplo na palavra parva.... Se formos ao dicionário encontramos diferenças de significado entre o masculino e o feminino e descubro que prefiro ser parva que parvo... Há coisas realmente "parvos" porque com as parvas posso eu bem... Afinal não penso em coisas parvas... Era só isto, hoje...

segunda-feira

Luttar...

Muitos de vocês que se dão ao trabalho de me lerem pensarão porque raio está ela aqui a escrever sobre isto, quem pensa que é ela? Outros que me conhecem a outra profundidade perceberão... Há conceitos que nos são enfiados à força com os anos, quer por pais, educadores, professores, média, pares cheios de boas intenções que acabam por nos tornar seres mais frustrados, com autoestimas mais baixas e essencialmente com autoconceitos totalmente desajustados... Aqui, nos casos que falo não há bicho papão que pretenda esse objetivo final, apenas lutam por um altruísmo que quando saudável é fundamental... Sim, devemo-nos preocupar com os outros, sim devemos fazer mais pelos outros, sim devemos proteger os outros, sim devemos ajudar os outros a serem mais felizes... Tudo certíssimo, nada contra, até porque sempre foi e será o meu lema de vida, se não, talvez escolhesse outras profissões... Sempre fiz desse lema um princípio de vida, lá no topo da pirâmide que pretendia chegar... Depois há momentos em que há derrocadas, tsunamis, tremores de terra entre outros fatores naturais que te fazem estatelar, engolir pirolitos, girinos e sapos, dares cabeçadas e até fazeres alguns traumatismos cranianos... Podes ficar até um tempo em coma e é aí que ou és um atleta da vida ou te fodes e podes ficar confinado a uma cama num quarto de paredes feias e pouco arejado... Talvez tenhas a sorte, se não fores atleta, de encontrares um altruísta por aí, mas aviso-te que eles estão em vias de extinção, portanto normalmente fodes-te. Assim como resolver este problema criado por nós mesmos e as circunstâncias (não simpatizo com esta palavra)... Tornando-nos um atleta da nossa própria e eu disse própria vida, sem esquecer os outros, sem os deixar de respeitar, sem deixar de os olhar como camaradas de viagem, mas aprender a tornar-nos eficientes a cuidar de nós mesmos, preparando a nossa mente e físico para todos os fenómenos naturais... Pois há um período pós fenómeno que és só tu e tu e é aí que precisas do atleta.
Quem sou eu para estar para aqui a escrever algo que possivelmente não te darás ao trabalho de ler? Sou só uma pessoa que se esqueceu, não percebeu, ninguém lhe explicou, não teve tempo de perceber e embora em movimento constante se tornou numa sedentária da sua própria vida, mesmo nos meus tremores de terra, só o altruísmo persistia, pois só esse era atlético. Sou alguém que embora não tenha de passar a minha experiência a ninguém é-me intrínseco e hoje luto todos os dias para ser uma atleta da minha própria vida, mas a valer, não só de boca, pois isso é para os fracos.

terça-feira

E quando não puderes mais, deixa-te cair... mas escolhe bem o local pois podes ter de permanecer algum tempo... O necessário para um novo caminhar.

domingo

Gente

Gosto de gente, que cheira e sabe a gente, que tem dentro da gente o foco, onde o coração dessa gente é maior que o seu peito... Gosto de gente limpa, honesta, com valores de lealdade, onde o amor impera... Gosto de gente que gosta de gente. Gosto de gente que é grande, que entende, que envolve, que perdoa, que esquece, que se dedica, que arranca o coração do peito pela nossa gente. Ainda há gente assim... Aquela que quero ao meu lado sempre. Mesmo que o mundo pense que é loucura, gente sem um pouco não muda nem um milímetro na vida das gentes...

quinta-feira

Exigência

Sou exigente, comigo, com os outros... Sou assim... Acho que como o Pessoa: "para ser grande, sê inteiro (...) Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes". Assim o faço em tudo... Se espero o mesmo dos outros já é um problema meu... Depois tenho de viver com os meus monstros, aqueles que nascem na frustração que não é minha mas teimo em abraçar... Esse é o próximo passo, não querer que todos sejam inteiros, grandes, que se ponham todos no mínimo que fazem... Existe essa grande diferença entre mim e os outros e essa é a próxima tarefa que ando a trabalhar..

domingo

Orgulho

Ouve-se muito, deixa o orgulho de lado, ele é o contrário do amor, da humildade... Teorias, balelas... Algo mais bonito do que ter orgulho em quem se ama? Algo mais maravilhoso em termos orgulho no nosso dia a dia, no nosso caminho... Hoje, ontem, estes últimos dias tenho um enorme orgulho em mim, sei o que quero e como fazê-lo... Talvez alguém um dia entenda também, mas isto neste momento pouco importa, apenas este orgulho de devagarinho me estar a aproximar do que quero ser... Com tempestades, mas com uma imensa tranquilidade comigo mesma. 🌞‪#‎coisasboasacontecem‬ ‪#‎nopormenorestaadiferenca‬ ‪#‎siga‬

terça-feira

Demais?

O lugar onde chegámos é sempre melhor do que de onde partimos. Há dias que temos orgulho em nós mesmos, não precisamos que ninguém nos dê uma palmadinha nas costas. Os momentos eternos são os que não precisamos de mais nada para que surjam e cheirem. Têm gosto a queijo com marmelada e quando repousamos neles, somos alimentados de algodão... Quero demais? Não, quero tudo o que tenho direito... o eterno em mim..‪#‎coisasboasacontecem‬ ‪#‎nopormenorestaadiferenca‬‪#‎hadiasmenosbonsmasnaofazmalhaaeternidade‬

domingo

Alice

Psst Alice, não penses que és a única que tem um país das maravilhas... Acredito que cada um de nós tem uma árvore onde se encosta e enquanto conta a história ao coelho de olho sabido corre para o seu... eu não canto quando para lá vou, mas atrás daquela porta está um mundo protegido, só meu onde ninguém consegue entrar, mesmo que coma as tão desejadas bolachas... Lá vivi o que mais ninguém viveu, dancei de vassoura, escrevi cartas de amor, fumei as primeiras beatas, tive sonhos, concretizei-os, chorei de amor, fiz amor, parti espelhos, arrumei passados, construí presentes, fugi em noites que nem comigo queria estar... Para lá ainda vou ouvir vinis, daqueles que nenhum MP4 vence, ainda me sento nas caixas empacotadas de memórias e sonho, sonho que não passaram 20 anos e ainda ouço a tua voz rouca. Lá onde a meio da noite pintei um pilar de preto e vejo a foto do Tom Cruise com restos de batom na parede... Lá tinha força para transportar um guarda fato durante a noite e descer as escadas de rabo sem mãos... Lá é onde me reencontro comigo quando teimo em jogar às escondidas... Lá ainda tenho um colchão no chão, uma caixa de música e um cinzeiro... Lá passo horas, converso comigo e digo: sabes, Rute‪#‎coisasboasacontecem‬ e ‪#‎nopormenorestaadiferenca‬ e ainda‪#‎estasmalucapiradaperdesteumparafusomasvoutecontarumsegredoasmelhorespessoassaoassim‬
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quinta-feira

Ali...

O que eu gosto de almofadas brancas, de dedos que enrolam cabelos e entrelaçam vidas... Levantar devagarinho olhar a janela e ouvir Lisboa e perceber que o cheiro que vem de dentro nos basta, nos preenche cada narina até ao mais pequeno dos alvéolos. Estou feliz, em paz, tão acompanhada de mim mesma com a promessa, haja o que houver sei que há coisas boas que acontecem, de mim para mim. Esta é a sorte de ser um bocadinho Alice... ‪#‎nopormenorestaadiferenca‬ ‪#‎coisasboasacontecem‬

sábado



Gosto do vento, quente que nos penetra a pele e nos leva para aquele lugar só nosso onde permanecemos no silêncio barulhento dos dias felizes...‪#‎nopormenorestaadiferenca‬

Sempre...

"hoje refleti sobre o amor. Me peguei pensando nesse desenho que me tornei. Eu, que era um rascunho de gente até que ela voltasse a ser parte de mim. Eu, que vivia para mim e tão só para mim e nunca fui bom o suficiente comigo mesmo para querer estar com alguém tão intensamente a ponto de não ser somente "com", mas sobretudo "em" alguém. Estou na sua mãe, coração, corpo, mente, alma. Estou nela a cada segundo dos nossos dias. Eu, que nunca tive noção de tempo e cheguei a pensar que viver era tanto. Agora tenho pressa, tenho urgência dela. Estou nela em sentimentos que jamais soube que existiam e sequer nome têm; talvez tenham nomes em latim como plantas raras que tudo curam – e que poucos encontram nas densas florestas do cotidiano da nossa existência. Eu, tão desorientado desde sempre, ando sem bússola no meio dessa mata, exímio conhecedor que me tornei desde que entendi que minha existência havia se tornado uma coexistência. Sem ela, inexisto. Com ela, respiro. Reflito, filhos. Como é fascinante essa sorte que tenho de estar tão perto de mim mesmo, toda a vida." Pedrinho Fonseca
‪#‎textosquegostavaquefossemmeus‬#coisasboasacontecem

quarta-feira

Felicidade

Sabem que mais? Sou mais feliz nos dias em que acordo sem despertador, seja lá fora noite ou dia, pouco importa... nesses dias em que a casa cheira a gente que permanece de coração cheio, em que se bebe café e se come pão a estalar, aquele estalar que a nossa infância nos habituou... sou mais feliz quando devagar fumo o meu cigarro e um sorriso vibra na lembrança do virar dos dias... sou mais feliz quando recordo imagens com vida... quando sozinha os sinto perto... quando me mando parar e colocar tudo em perspectiva para recuperar o fôlego, como se estivesse a tomar balanço... naqueles dias em que arrumo na gaveta sonhos e projectos e desenho outros, que o oxigénio trás de novo... cheira a pinheiros, daqueles que trepava para apanhar as pinhas e chegava a casa e a minha avó punha tintura de iodo e eu dizia que ardia... sou mais feliz naqueles dias que "rezo" que não terminem mais de tão bons que me causam arrepios... sou mais feliz quando descubro que há coisas e pessoas que me transformam e me tornam mais única... sou mais feliz quando acredito, quando me inspiro, quando sinto que calibro a minha bússola ao bater do meu coração... sou mais feliz quando dou valor a quem tem valor, a quem nos quer um bem de tão profundo... sou mais feliz quando cuido e quando sinto que alguém foi mais feliz porque nos cruzamos algures no tempo... sou mais feliz quando descomplico, quando vejo a vida com o olhar da menina que ainda habita em mim e que quero conservar para sempre... é difícil, são tantas as regras que nos impõem... mas repito todos os dias que não abro mão desses momentos felizes em que continuo a acreditar... há quem diga que sou criança, outros que vivo num mundo de fantasia... por vezes respondo, por vezes fico em silêncio... difícil explicar a quem não vê a vida pelos meus olhos que só assim me faz sentido... porque me esforço, porque quero, porque mereço... simples? Nada... tem dias que ser assim, se ouvem muitos ses, mas, nãos, cuidado, és louca... respondo talvez... mas para mim o amor, a vida só vale a pena se for de barriga cheia, onde os pés se entrelaçam, se entendem e fazem os dias assim... felizes... heart emoticon
Ah e sou mais feliz quando me apetece escrever... assim como hoje. Porque hoje é o dia mais feliz heart emot

terça-feira

Reencontros

Hoje um raio de sol disse-me bom dia, mas não aquele bom dia de cruzar diário, que apenas respondemos automaticamente... Nada disso, foi Bom dia Rute!!! Permitam-me ficar babada, foi personalizado caramba! Teve de jogar à rabia com as nuvens e de lá do seu alto gritou: Bom Dia Rute!!! Fiquei em silêncio a admira-lo a correr de um lado para o outro e a ouvir as suas risadas... Ainda lhe respondi com toda a minha força, mas já depois da chegada da nuvem mãe... Fiquei de sorriso nos lábios à sua procura... Não mais apareceu... Não precisava de me ouvir... Tinha completado a sua missão e foi correr mundo...
Eu, uma saudosista ficarei a aguardar um reencontro... Continuo a acreditar que o prazer da vida está nos pormenores, que nos escapam porque perdemos tempo em coisas ditas importantes e nos esquecemos de ganhar tempo em coisas simples.
Sim, foi assim que me atrasei para ir trabalhar, mas fui tão mais feliz.

segunda-feira

Só tu

"Agora era aquela parte em que as crianças iam para a cama, tu mandavas-me para a varanda, trazias-me um gin e sentavas-te ao meu lado.
Eu pousava as minhas pernas em cima das tuas e acendia um cigarro. Olhavas-me com aquele olhar que só encontro no teu e falávamos de tudo e de nada.
Não precisava de mais nada!"

terça-feira

Esperança

Era uma confiança tão pequena em acreditar, uma esperança que vale a pena perpetuar… Um gostar de ser assim, crente na vida, no optimismo de uma verdade que não se crê, mas que se deseja ser diferente. A vida brilha mais quando se acredita, se vê o mundo em tons de azul e cor-de-rosa… Querer afastar o cinzento e olhar para ao lado e ver quem tem de tão genuíno a crença de um futuro gigante. A pauta da vida, tem um som a primavera, um sabor a chocolate quente, um odor de um campo de rosas, um tacto de algodão em rama, um olhar profundo de paz e um sexto sentido de felicidade.
Encontro a cabeça no teu ombro, conheço os meus dedos nos teus e prometo acreditar, pelo menos até acordar.

sexta-feira

Desamor

Sobe a calçada descalça pela vida, as rugas não visíveis da idade mostram um caminho ainda curto de sabedoria. A fechadura estreita permite vislumbrar ao longe o amor. Sim…aquele desejado por tantos e colhido por alguns. Uma carícia sentida na saudade de um gesto que ficou para trás, assassinado nas conversas afiadas de cansaço. A cabeça pesa sobre os ombros, a leveza de outrora sucumbiu e as horas infinitas de solidão fazem os minutos saberem a dias azedos e nauseabundos. A inclinação é soberba e as chagas plantadas não permitem avançar. Olha para trás, tarde demais… Magoa voltar atrás, insuportável caminhar em frente. Enrola o desejo, apaga a paixão, observa o vazio e encontra um lugar. O lugar onde o amor espreita, mas não pertence, um lugar onde todos os venturosos passam ao largo. O lugar onde se sobra e onde apenas se ouve a palavra saudade.

terça-feira

Momento Único

Sei que estás aí… Sinto o teu respirar…
O toque suave no meu ombro, quando o mundo teima em rodopiar…
Não consigo ver o teu rosto… Apenas a tua essência…
A forma como fazes nascer as cores garridas…
Passo a mão na silhueta desenhada ao som da lua…
Visiono o cruzar do olhar… Como é importante o olhar…
Há o arcano que me embala e me abraça nos dias gelados de luz…
Tanta descrença e tamanha confiança…
Esse dia é nosso, num pestanejar, sinto o cheiro do futuro que porfia o tempo.
Nesse momento único, a vida sabe a sal e pimenta, a queijo e marmelada…
Sabe a mim, sabe a ti… Não, sabe a nós!

Unidade

Chove a cântaros… O chiar dos ferros nos carris anunciam a chegada… Pego na sacola que me acompanha. Pesada. Tento colocá-la ao ombro, mas ela não cede, talvez pelo peso, talvez pela força ausente do cansaço da jornada. Ao meu ouvido sinto o sopro de uma voz amaciada: “Eu ajudo.” Sorrio, num gesto inato de crédito. “Sempre?”, pergunto… “Para sempre.”, responde. Pegamos, cada uma numa alça laça da vida e penso: “Afinal não é pesada, é doce de se levar”. Olhamos o horizonte e ouvimos o barulho do nosso pensamento: “Deixou de chover e quando a nuvem voltar, esta sacola, com a ajuda das nossas mãos unidas colherá toda a água que um dia regará imensos jardins”.

Paz

Sinceridade morava lá... Beleza de um encanto escondido por detrás das palavras... Encontros numa tarde de um sereno embriagar de almas... Ao fundo a noite tomba de mansinho… Sobra o cheiro do que ficou por dizer e a fome do passado já digerido.
Caíu uma estrela, a mais brilhante do céu que nos veio acordar da calma jazida nos lábios degustados. O vento… novamente o vento… Aquele que nos embala as noites que teimam em querer fugir para terras distantes...
Desce um pintalgar ligeiro, roubando o visível sombreado que acutila o sonho, aquele que rebenta a cada passada do destino apurado por entre tantos traços desenhados pela escolha.
Encaixo a mão entre os finos cabelos que se entrelaçam, fecho os olhos e assim me deixo adormecer…

quarta-feira

Feitiço

Menina bonita… alcunha conquistada pelo olhar singelo e pele tenra, onde a vida não se permitia entrar. Olhava em volta e piscava o olho direito, ao mesmo tempo que segurava o chapéu de palha que teimava em lhe tapar o rosto. As chinelas frescas e vistosas saltavam entre os dedos, como se quisessem antecipar… o cabelo já sem pressa deixava se ficar na reminiscência das quadras arcaicas. A saia rodava ao sabor do vento e com ele o pensamento voava. Fora visitar as estrelas, que faziam parceria com lua mordida pelos amantes. Caiu redondo no chão ao vê-lo… Menino bonito… a boina deixava escorrer o suor da descida cadente por detrás do sol. Vinham de longe, onde só as memórias têm a chave de regresso.

sábado

Solidão

Estou só… A janela entreaberta deixa entrar a noite, onde os grilos vivem o seu cantar.
“Tens tudo para ser feliz!!” Quem disse? Quem sabe?
Estou só… Lá fora há gente, cá dentro moram tantos… Onde estão? Para onde foram? Onde ando eu? Que fizeste da tua vida, que ela não te acompanha, hoje, ontem… e amanhã?
Estou infinitamente só… Estou ou sinto-me? Olho a parede onde fulgura o reflexo da lua que coabita o mesmo espaço e entende os meus murmúrios.
Estou só… Sinto a vida a fugir entre os jeitos e ausenta-se a vontade já exígua de mudar. São trinta pequenos campos de saudade, de memória, de vida..
Era menina traquina, era garota que julgava ser mulher, era mulher que queria ser gente… Estava cheia de tanto, que a qualquer momento eclodiria de ventura… Foi assim… Foi… Talvez não fosse ela meritória de tamanho sentimento… Cresceu por fora, com braços longos, pernas robustas, tronco corpulento, com espaço eterno para caber um coração colossal… Era extensão a mais, ele foi-se sentindo pequeno, acanhado, fechando-se a uma velocidade que a razão não permitiu travar…
Hoje, estou só… Talvez por o coração já ser demasiado pequeno, talvez porque o corpo é grande demais… Mulher que sonha ser menina.
Estranho, não há vento.
As lágrimas caem devagarinho, sobro eu aqui, só.

Intrínseco

Desligo o rádio. A rua está deserta e não há mais caminho por percorrer. A manhã desponta com um azul envergonhado que deixa vislumbrar o tanto que se sabe. Sabe? A chuva cuidadosa desenha no vidro um singelo sopro de novidade. A vida deu a curva redonda de um final adiado pela vontade, sobrando a querença por um recomeço. A porta empurrada pela força humana, teima em se deixar prender. Olho a casa com janelas aos quadrados, alinhadas como se um jogo fizesse parte dela. Nublado. A escuridão acometia o espaço. Bato a porta. Encosto a cara. Repouso. Volto a abrir. Ninguém. Escuto ao longe uma súplica que se torna pequena, com a dimensão de um zoado incomodo. Vinha de dentro? Dentro. O redor assusta. A vida assusta. Qual? Sigo a seta que o chão indica. Resta o nada. Sobro eu. A linha é longa, extensa demais para as pernas cansadas do atalho que se decidiu. Não. É talvez curta para o que ainda há para distinguir. O contorno azulou e a estafa virou companhia de uma história contada a uma só voz.

domingo

À mão de um clique

Num mundo que se torna aos poucos, ausente de tempo, surdo de demora, impaciente na escuta, as novas ideias, os atropelamentos de exposição, abriram caminho sombrio ao ciberespaço.
Suavemente novas formas de comunicar emanam, ora sem rosto, ora agregado ao renome já instituído na praça de uma sociedade inevitavelmente diferente.
Dez anos se passaram desde o surgimento da tão badalada e discutida blogosfera.
Cerca de 50 milhões de pessoas fazem do blog a sua leitura diária e mais de 15 mil novos são criados todos os dias.
Um universo onde o espaço é para todos, onde a informação e a opinião é permitida e automática, onde se mostra e se vê, onde se aprende e se ignora, onde se erra e se reconstrói, onde se critica e elogia, onde se ofende e se encanta, onde o anónimo se torna gente e a gente, um igual.
Os géneros acompanham os interesses percorridos pelas mentes que os habitam, políticos, poéticos, publicitários, babyblogs, diários, entre tantos outros, mistos de motes, mas onde o parecer impera como uma verdade universal e única, onde os comentários são permitidos, como vozes que ecoam fazendo ampliar o mundo que por eles é povoado.
Verdades? Tantas, que escondem a dúvida que teima em morder o calcanhar tatuado pela vida.
A cada visita, está um ser, que começa por ser um enigma a desvendar, uma curiosidade que preenche o dia, uma surpresa saudável, uma mágoa.
O regar da flor, o aumento dos contadores, a luta por um lugar ao sol.
O vício simplificado do puxar de um cigarro carregado de significado ou facilitado pelo gesto. Uma dependência que preenche os dias e desata as amarras da solidão, do grito a viva voz de tudo o que não consegue ser escutado na comunicação tradicional.
Ao clicar a cruz, o mundo esconde-se e sobramos nós, agora mais ricos em memórias de vivências solitárias por detrás de um ecrã.

Adenda: A pedido de um igual, em breve.

segunda-feira

Cumplicidades

Um olhar basta…
No meio do nada esse contemplar encontra-se, inebriado pelo único.
As vozes surgem, esbatem-se e o vigor encantado permanece, como uma onda de perfeição, que nos iguala.
O que nos rodeia é inexistente, ausente de porte, desgarrado de valor.
O tempo não volta, a vida não corre, aqui sobramos, acompanhados da saudade do vivido e sedentos do sonhado.
Anseio voltar a ver-te… O palheiro que nos circunda, torna-nos imersos numa solidão sem fim…
A mágoa existente num olhar que não rima ao apelo do duo, move-se violentamente em todas as orbitas, incessantemente até ao dia em que o mundo tornar a girar numa melodia encantada e esse cruzar renascer.
Onde está aquele piscar?

terça-feira

Encanto

Encontro o teu olhar, num instante incauto da luz.
Reflecte o som da magia, esquecida por de trás do gesto.
Um toque sublime preenche o espaço que sobrou do nada.
Reflicto na nova extensão ocupada do pensamento.
A dúvida assola como uma mancha que nos lembra o presente.
Transporto comigo, a tatuagem que assina o rebate do desejo.
Sinto o florescer da chama, que afasta a linfa e bombeia o sangue.
O coração bate e a coragem escasseia…
O caminho é sombrio.
Serro os olhos e fujo da luz obscura.
Observo em volta e vislumbro a casa.
A minha. Há um lugar para mim.
Talvez ali… mas sempre aqui.

quarta-feira

Início

Truz, truz…
Quem é? É a prima do Inverno, que lavou a terra, gelou os mares e levou as folhas amareladas do amigo Outono…
Vim para ficar, três longos meses… Venho trazer o sol, aquele que aquece a alma dos ramos secos dos murmúrios ventosos… Chego de mansinho e acordo os pássaros, que me acorrem a beijar e esvoaçam nos meus cabelos. Sou querida pelos enamorados e desejada pelos desventurados.
Só comigo os frutos vêm rebentar os seus botões, os campos se enchem de flores, as abelhas pousam de pólen em pólen e a vida inicia a sua reprodução…
Muitos são os meus filhos que brotaram num ventre numa noite de luar imenso…
Caminho, por Março, Abril, Maio e acabo por partilhar o Junho com o til mais almejado do universo.
Aproveitem a minha estada, e não se entristeçam quando o desfecho estiver à vista, para o ano voltarei em força e a vida retornará a nascer.

sábado

Ser mãe

A dimensão de um abraço de um filho é algo de tal forma indescritível que se torna soberbo.
Toda a minha vida sonhei em ser mãe… De tal forma que cheguei a crer que tal dia nunca chegaria…
Os tempos foram passando e o medo apoderava-se de qualquer razão ou desejo…
A luta travada em silêncio, doía cá dentro como se de uma navalha se tratasse…
Cada dia era pautado de dúvida e desespero, de amor e ansiedade, de vontade e de temor, novamente o medo persistia…
Quando soube da sua existência fiquei incrédula, tal era a extensão que o pavor tinha atingido…
A minha existência tinha um novo significado, a palavra mãe iria existir, no seu sentido maiúsculo e verdadeiro…
O meu sorriso vinha de dentro, de dentro de mim, na existência de um ser... Um ser que era parte do meu ser…
Hoje, quando o olho, quando o seu sorriso enche a casa, me embala as noites, que terminam sempre com um afago no meu rosto, de uma mão pequena na sua medida, mas enorme na sua essência… Quando os seus pequenos braços envolvem o meu pescoço e a sua face se enrola na minha, sinto o meu corpo desfalecer, não de cansaço, não de tristeza, mas de um prazer sublime, que se torna numa plenitude que nos encaminha ao céu.
Que mais podemos nós pedir da vida, do que tamanha mestria?
Sou mãe e este abraço é a minha vida!

Adenda: em nada este texto tem a ver com o dia de amanhã, por amar o meu filho, voto Sim.

quinta-feira

Horas

Os ponteiros do relógio preguiçosos, que teimam em se encontrar vinte e quatro longas vezes, observam o mais fino que nunca se cansa, espicaçando-os para não se demorarem, pois a vida corre lá fora. Eles pensam: para quê correr? O nosso destino, nunca sairá destas paredes vazias… Não digam isso, talvez existam horas, que valeria a pena parar o tempo, outras tantas que tenho vontade de fazer o caminho de volta e encontrar as horas de outrora. Mas na sua pluralidade, apetecia-me dar-vos um pouco da minha veemência e fazer-vos voar, a um tempo ainda não vivido, onde a curiosidade mora, onde a felicidade existe. Contempla a tristeza daquela mulher que um dia foi catraia e que feliz era. Já não tenho força de remar contra a maré, mas talvez ao sabor da corrente, com um sopro de coragem, juntos, sempre contíguos, conseguíssemos percorrer o hoje e chegar ao amanhã, aquele que ainda não se conhece, mas que se crê iluminado e aquecido pelo sorriso de quem ama.
A vida é essencial a quem mira, todos nos observam na esperança de algo esplendoroso, que é encoberto, mas que se espera sempre.
Se não podemos voltar para trás, caminhemos juntos, numa velocidade que permita alcançar o tempo da magia que está para chegar.

Vontade

Não quero. Porquê? Nem sempre os porquês interessam. Quero-te ajudar. Não quero. Tens de me ouvir… talvez se me ouvisses conseguisses entender… Não quero. Deixa-me abraçar-te. Não quero. Os saltos percorrem o corredor e a alma fica. O não quero permanece na sala, o querer faz bater a porta e fecha-se lá dentro com vontade de sair. Porquê? Porque não me ouves? Porquê? Porque não te consigo explicar o que sinto? Porque não me entendes? Não quero ficar aqui, não quero ir para aí… Não sei o porque, sei que não é isso que quero, sei que nada poderás fazer para que eu queira. Quero sair daqui… Aí está escuro… Aqui o negro assusta… Onde? Onde? Não quero…
Queria, mas não quero…

terça-feira

Impotência

O punho serrado contra porta, faz estremecer os mais incrédulos.
A fenda redonda deixa vislumbrar a temida chegada.
A força com que bate, não deixará a barreira de pé.
Olho a janela, o precipício não permite que fujas.
Estendo-te as mãos vazias de solução, deito a minha cabeça por cima da tua, aferrolho os olhos e deixo correr a última lágrima por cima dos teus cabelos já cansados.
Despeço-me de ti, caminho para a porta e deixo o intruso entrar.
Fecho a porta e percebo, foi a última vez que te vi.

Ignorância

Aconchegada à janela, as arvores galopam, misturando-se com os rios.
Devagarinho a imagem torna-se mais nítida, mostrando o óbvio.
Desce as escadas mal as portas se abrem e pisa a terra molhada, que o Inverno ostentou.
Como conhecia aquele cheiro…
Ao longe uma figura esbelta, de rosto fechado caminha em sua direcção.
Espera sem mover as raízes que trouxeram aos tempo de outrora.
A recusa desponta num feito brutal, fazendo anular a razão.
Antes das portas se fecharem, corre e avassala o seu interior.
Vê a figura se trasladar e a paz fugir
A insipiência auferiu.

segunda-feira

Cansaço

Por maior que seja o nosso sofrimento, os dias, as noites são iguais.
As pessoas cruzam-se connosco num corredor e ouvimos gargalhadas sonantes.
As flores continuam a nascer, as luzes na estrada acompanham o nosso caminho.
O homem da portagem diz boa noite, o médico no hospital fala de arroz de marisco, a empregada do café olha as nossas lágrimas a correr, o hábito endurece…
O chegar a casa, o frio gela.
O cansaço venceu.

quinta-feira

Pausa

Uma pausa pressupõe um recomeço, uma continuação abandonada pela infindável necessidade da procura.

Apreciar sem pressa, verter com ânimo, um aquietar do espírito, um ficar para ver, um olhar em redor, um voltar em vontade.

O tempo pára e corre.

É breve…

O tempo acaba, o amanhã chegou.

quarta-feira

Sentidos

Preciso de te olhar e te ver.

Preciso de sentir o teu respirar.

Preciso de experimentar o soalheiro da tua palma e de mãos dadas caminhar no sonho.

Preciso de perfumar a minha alma com o teu incenso.

Preciso de apreciar o teu odor, para me sentir viva.

Preciso que a saudade me venha beijar ao de leve, para mais tarde te levar comigo.

Preciso de provar o mel, para amanhecer inteira.

segunda-feira

Angústia

Uma dor que começa na boca do estômago, tornando-o revolto, sobe até à garganta fazendo um laço.
Abranda o nosso olhar, acinzenta o nosso sorriso.
Uma constante que nos rouba o pensamento, fazendo as paredes encolherem e aperta, tanto.
O medo assola-nos.
Num ápice faz esconder a força que nos faz erguer e a inércia vence.
O enliçado que nos abraça, arruína-nos a vontade.
Inunda-nos como tsunami.
Eleva-nos aos céus como furacão.
Queima-nos como buraco negro.
Mata-nos como vírus.

sábado

Inconformismo

Olho o espelho, baixo a cabeça envolta pelas mãos e suspiro.
Ganho força e ergo-a novamente. A imagem reflectida é proveito da imaginação.
Não aguento. Tudo está distorcido, manchado, feio.
Os dedos contornam os olhos, obrigando-os a desabrochar. Quem me olha?
Levanto-me num ápice e corro para o outro lado do espaço.
Fico de costas, sereno. Tenho receio de me virar.
O redor está vazio de movimento, sedento do tudo que a ausência presenteia.
Não consigo sair dali, para ir onde?
O desespero enraizou o impulso da procura do não sei o quê que talvez quem sabe fará bem.
Dou voltas e voltas sem conseguir sair do mesmo lugar. Sinto-me desafiar o desvario, preciso de encontrar sentido nestas vivências, neste ser que não conheço. A luta travada, não sorve o desenlace apetecido, não me enche por inteira.
Não sou eu.
Volto-me. Quem és?

sexta-feira

Certezas

Sara era sua amiga desde que se lembra de ser. Juntas, viam desaparecer as horas, no terraço da avó, olhavam os carros que passavam na ponte rasteira, ao mesmo tempo que partilhavam a vida. Foram crescendo e permanecendo, mudando de poiso, alterando vícios e desejos. Eram diferentes, muito, mas a cumplicidade que as unia tornava-as cada vez mais contíguas.
Um dia tudo se modificou. A Sara conheceu o Vasco, um rapaz bem parecido, com bastantes posses e esmagadoramente inteligente. Por ele se encantou, estreando-se um amor que prometia felicidade.
A vida deu a volta, eles casaram, mas a amizade delas sobreviveu.
O tempo ia passando e a tristeza dela ia surgindo e engrandecendo, sentia que a Sara tinha mudado, que a amizade delas já não estava acima de tudo. Sentia-se a sobejar.
Continuava sozinha e sem grandes ambições e observar aquela felicidade, assustava-a.
Deixou de aparecer tanto quanto era costume, esperando pela procura da Sara. Isso acontecia, mas ela mostrava-se feliz, como se tudo aquilo não a magoasse.
Os anos foram andando e a cumplicidade não era a de outrora, falavam pelo telefone, encontravam-se esporadicamente, mas a dor da sua infelicidade não deixava que a amizade continuasse a florir. Havia sempre um pé atrás, uma necessidade de afirmação, uma tentativa de desinteresse. Os telefonemas foram desaparecendo, as faces foram deixando de se cruzar e a ausência sobrando.
As certezas iam crescendo, a Sara tinha sido capaz de ser feliz e de se esquecer da harmoniza que as aproximava, da amizade que as tinha feito partilhar o mundo. A amiga nunca mais se preocupou com a sua infelicidade, com a sua solidão.
Depois de tanta certeza e tanta raiva pegou no telefone e ligou. Atendeu a mulher do Vasco, que depois de perceber de quem se tratava, respondeu: Ela morreu, há já seis meses, suicidou-se coitada.
E com ela, as certezas.

quarta-feira

Crer

Atravessou as portas desmedidas, lá dentro o fresco regia.
Silenciosamente percorreu o estreito. Escolheu aquele assento de madeira.
Sentou-se e olhou. Apeteceu-lhe fumar. Não seria conveniente.
O barulho quase inexistente fazia soar o seu transpirar.
Afastado, murmurares surgiam por detrás de um tabique de madeira.
Não percebia o que se pronunciava, apenas o sentia como perturbador.
A língua morta percorria as paredes em escritos que acompanhavam imagens.
Era estranho estar ali, não era seu costume, talvez por isso se sentisse restar.
Ao fundo uma criança vestida de branco passeava-se, com um objecto difícil de definir.
Duas senhoras de idade pareciam cochichar sobre alguém, que já algum tempo observava. Era uma senhora de cara franzina e olhos inchados, segurava um livro e um pequeno lenço. Ela parecia pertencer ao clã, pois não perdera tempo a observar o que a rodeava.
Mais atrás, um senhor de cabelos grisalhos e cara fechada, articulava uma lengalenga conhecida pelo comum dos (i)mortais.
Nunca tinha aprendido, hoje fazia-lhe falta.
Hoje precisava de pertencer aquela família, as portas fechadas e a inconformidade, teriam resposta ali, naquele momento exacto, estaria tudo decifrado.
Bastaria ajoelhar-se, juntar as mãos e rezar.

segunda-feira

Ausência

O vazio tocou ao de leve, escalou pela perna e instalou-se. Estreia-se velozmente, desampara, desabriga, desprotege e perdura vagarosamente.
A dor acompanha a jornada que se adivinha tortuosa e desleal. Os dias passam morosamente, numa delonga, que lacera, que estraçalha.
O corpo fica miúdo e dormente, o que envolve perde o sentido, estranha o sabor, altera a cor. Uma nuvem constante partilha os pensamentos que por mais que vão, dobram.
A vontade de não permanecer, de não existir, de não querer saber, se avoluma.
O desespero espreita, a sanidade oscila e o desassossego comparece.
Um renascer promete atrasar, um esquecer afirma-se quimérico.

sexta-feira

Memória

Cheira a terra molhada, a lareira enche a casa que nos abrasa os olhos… O sofá faz descansar a manta, provo o café, que queima por dentro. Pego no livro, que me acompanha a noite. Através dos vidros, a chuva tomba de mansinho, faz-me afastar os pensamentos para outra dimensão, para outro tempo.
Estamos em agosto, as férias grandes chegaram, com elas a amizade regressa, aquela que tanto esperei ao longo do último ciclo.
Corremos estradas e campos, nada passa sem nos ver, perceber o globo faz parte do nosso imaginário, visitamos plantas e animais, casas e fábricas.
Chegou a demora das asneiras, a ansiedade do erro, a vontade do devaneio… A alegria, tanta… O mundo era aquele dia, a vida acabava e tudo tinha de ser feito…
Cai forte, tão forte, que me acorda…
O sorriso acompanha o meu livro pela noite fora.

quinta-feira

Caminho

Uma frecha trouxe a claridade. Atravessou a porta de mão dada, de mala às costas, era pesada e grande, difícil para alguém tão pequeno, mas era ele que a tinha de carregar.O trilho era estreito e sinuoso. As pedras no chão, roliças e de pequenas dimensões, aguçam a sua curiosidade, pega numa e fá-la voar. No horizonte desaparece sem deixar rasto. Ouvia cada vez mais longe a voz: cuidado, tens a certeza? Convicto da sua capacidade, continuou fazendo ouvidos moucos. O sol já vai alto. O cansaço surge, mas o desejo em percorrer persiste. Depois de algum tempo de caminho, as pernas engrandeceram, o tronco tornou-se mais amplo, os braços mais longos… O caminho, esse, transformou-se, agora maior e mais intrincado, as pedras tomaram outras dimensões, agora mais difíceis de transpor, surgiram, rios e mares, montanhas e planícies, flores e cactos, pombas e cobras. Por vezes o medo, por vezes a paz… A curiosidade morava lá, lá onde passava, lá onde queria estar… a voz já não se fazia soar, ou talvez os seus ouvidos tivessem cerrados…Cruza-se com uma imensidão de seres, uns cansados pela vida, outros a tentarem estafa-la… Vários pensamentos despontam, várias opiniões irrompem… O seu pensamento gira a uma velocidade estonteante, onde existe uma vontade de mudança e uma mudança da vontade… O que é verdade hoje, amanhã já não o será…Distraidamente e sem perceber como, vai de encontro a um muro, a cabeça ganhou um inchaço, o coração uma dúvida. O muro era desmedido e não havia como transpô-lo… Novamente o pensamento entrou em conflito, o apetite, o perigo, a incógnita, a vontade… Lança o escadote, sobe, sobe, sobe, tão alto que parecia chegar ao céu… A paisagem era deslumbrante, muito mais do que alguma vez teria imaginado, mas tudo o que era pormenor e pequeno fugia-lhe tornando-se incontrolável, mas a confiança no seu instinto era mais forte, mas… de novo aquela voz ecoa, parecia que os seus ouvido de repente permitiam deferir algo…
Mas residia a dúvida: O que faço?
Assim se cresce, a asa desaparece fisicamente, mas permanece sempre no coração.
03.Agosto.2006

terça-feira

Felicidade


Como definir, o que é diferente em cada um?
Como atingir e alcançar algo tão abstracto, quando implica um pensar diferente, uma divergência no estar?
Ser ou não ser… É simples, delicado, desejável?
Será?
Uma procura constante que faz a vida seguir um rumo, em que o seu altear é equívoco.
Uma batalha prolongada que termina com sabor a escasso.
Uma plenitude que se estraga com o desejo descoincidente.
Que seria dos desejos, dos objectivos, das ambições?
Será que se pode ser infeliz por se atingi-la?