quarta-feira

Amizades

Cada dia há mais pessoas a chocarem-me de maneira sórdida... Pessoas que comem tudo até ao tutano do osso e depois desaparecem sem deixar rasto. Há verdadeiros parasitas neste mundo e confesso que quanto mais o tempo passa menos vontade de estar disponível para os demais...

Tentas?

Da minha janela lê-se "Eu vou mudar o mundo"... juro que tento, juro que acredito, juro que me sinto cada dia mais cansada... Todos os dias tropeço nela, como em mim há trinta anos atrás, onde acreditava com a mesma força, com o mesmo querer, apenas com mais fôlego. A precisar urgentemente de uma bomba de oxigénio para não matar este crer. Talvez de mudar de janela...

terça-feira

Sentimentos

se me perguntarem sobre o que gosto de escrever, responderei sempre: sentimentos, pois não consigo encontrar nada mais importante no mundo do que aquilo que sentimos e os outros sentem, seja ele que sentimento for. são os sentimentos que comandam as vontades, os passos, as hesitações, são eles que verdadeiramente mandam na nossa vida. tantas vezes somos uma montanha russa de sentimentos, de manhã, tranquilos e optimistas, ao almoço excitados e vigorantes, à tarde zangados e furiosos, de noite cansados e deprimidos, ou não. esta cadencia depende de cada um, mas nunca se consegue ficar uma vida no topo ou no vale e a forma como lidamos com as diferentes oscilações faz de nós quem somos. eu sou impulsiva nos meus, gosto de me deixar levar por aquilo que acredito, corro sempre atrás, sem deixar nada por dizer. por isso hoje digo, estou cansada de correr. 

segunda-feira

Acelerada

Nasci acelerada. Treino todos os dias para o pé direito da vida não carregar muito forte e haver um tempo para respirar, mas depois lá oiço ao fundo o Gabriel, "Não é preciso respirar, é preciso viver". Talvez por isso sou tão avessa às rotinas, fazendo "mudastis" radicais que não abanam só as cortinas da casa. Por vezes lá tem de vir o betadine para ajudar nas escoriações, mas normalmente tudo acaba por passar com o tão desejado ou amaldiçoado tempo. Fora estas, procuro que todos os dias exista algo de especial para que o dia conte e não se confunda com todos os outros de tão igual. Compreendo quem encontra estabilidade nas rotinas e que precise delas para se organizar, como acordar e fazer tudo pela mesma ordem todos os dias, mesmo que possa fazer pela ordem inversa que tudo irá dar certo. Ir ao mesmo café, gostar de se sentar naquela mesa, atravessar a rua na mesma passadeira e até mesmo comprar o jornal no mesmo sítio. Há quem vá de férias, todos os anos para o mesmo local e eu entendo, mas a mim a rotina desorganiza-me, destabiliza-me, desencanta-me. Preciso de ver diferente, de sentir diferente, de ouvir diferente, mesmo que seja o mesmo, mas a perspectiva tem de ser outra para o sabor não ser sempre tão demasiado igual. Tudo isto porque passei por um acidente e tive em fila por demasiada curiosidade dos transeuntes e perguntei-me, "Porque esta gente pára para ver? Não estão a sair dos carros, por isso nada de produtivo daqui sairá. Será para preencher o espaço da novidade, aquele que a vida não permite alimentar? Logo terão assunto para destruir as conversas conhecidas e falarão do acidente, dos feridos e do trânsito...".
O que uma simples fila de carros causa na cabeça de quem nasceu desprogramada... vai mas é trabalhar...

quinta-feira

Porque é que a passagem do ano é algo tão importante para as pessoas? Um livro em branco... como se o cruzar dos ponteiros fizessem magia, permitissem recomeçar... O estupido disto tudo é que o podemos fazer todos os dias, a qualquer momento, quando quisermos, sem precisarmos de data marcada, basta acreditarmos que é exatamente isso que queremos fazer... Dia 4 de março parece-me um excelente dia, se fosse nesse dia que acreditei... O difícil por vezes é acreditar, acreditar que é isso que queremos, que é por aí ou por ali que queremos desbravar... E se eu me arrepender? E se eu quiser voltar atrás? Esse é o preço que têm de pagar as pessoas intensas, que não se cansam de procurar a felicidade mesmo que para os outros tenham já tudo para serem felizes...
Estou-me borrifando para o que os que não me interessam pensam das minhas escolhas, dos meus olhares, dos meus amores, dos meus valores, de mim... O que pensam de mim não me pertence, é de cada um e terei sempre a escolha de lhe dar o valor que entender... Acreditar, ser livre... Para ir e voltar, em 2015, em 2016, agora e sempre que o acreditar seja aquilo que nos guia...
"Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolhi me tornar." Jung

sexta-feira

Sentada observo o piscar da árvore, a cada vez que a luz acende relembro cada imagem que guardo, debaixo do pinheiro envelhecido que já não tem cheiro de madeira e o verde já escolheu outra casa para morar. como te entendo... não há neve, não há brasas, não há gargalhadas, não há... há apenas a palavra muito nossa... lembro-me de desejar a chegada ainda em outubro... hoje desejo adormecer no dia 1 e voltar a acordar no ano seguinte... sim, por eles, visto por dentro o fato de mãe natal e depois para despir deixa demasiadas cicatrizes... até dia 1, vou fazendo os curativos necessários e dizendo baixinho: já passou, já passou...

segunda-feira

Porque na hora da despedida levo os cheiros, a terra molhada, a lenha queimada, a azeitona... Levo o som da água, da música, do silêncio, da paz... Levo cada piscar, cada vela, cada pormenor que faz sentido no lugar onde está... Levo o vento, a cadeira de embalar, as mantas, as almofadas, as lambidelas dos cães... Levo cada momento e cada sentimento que um espaço assim nos faz sentir, longe de tudo, do mundo mas muito perto do que verdadeiramente importa... o coração.

Dias

E pumba mais uma cambalhota... a vida e as suas cambalhotas... por mais que lutemos por vezes, por mais que queiramos nem sempre aquilo que desejamos conseguimos alcançar... Começamos a ficar cansados, cansados de lutar, de viver todos os dias a mesma coisa... procuramos forças para nos reerguemos e elas mantêm-se escondidas, com medo... Medo do que ficou para trás e escondeu os sonhos... Recomeçar, sempre e mais uma vez, todas as vezes... Cansava, hoje... Só hoje...

A vida passa a correr...

A vida passa a correr... Há um dia em que acordas e tudo mudou... Já não estão a acabar as férias, já não vais de mochila às costas carregada de sonhos e curiosidades... Já não ouves a campainha a tocar, as gargalhadas e os empurrões... São eles, grandes, imensos... Como chegou aqui tão depressa? 
A vida passa a correr... Hoje são eles que cheiram os livros, descobrem canetas, borrachas e sonhos... Fico sentada a admirar, a sonhar com eles, a tentar perceber onde se meteram estes 30 anos... Hoje queria me enfiar nas suas mochilas e viajar ao mundo onde tudo era diferente, onde a vida demorava tanto a passar, e havia livros novos, canetas, gargalhadas e empurrões... Lá está ela... A campainha... São horas de eles entrarem... E eu ficarei do lado de fora, tentando arrumar o coração lá dentro, pois ele teima em andar sempre nas mãos... (Eles voam e eu amo vê-los voar... Só custa um bocadinho o arranque...)

quinta-feira

15 anos

Sei que sou um ser meio estranho, refilona, insatisfeita, que continua a acreditar naquilo que tantos deixaram de o fazer aos 15 anos... "Porque tem de ser, porque é assim", acho que ainda não sei bem o que isso significa. Porque acho que é possível, porque pode mesmo ser, porque ainda acredito que vai acontecer... Não sei se hoje ou amanhã, mas os 15 anos que habitam em mim, dizem-me todos os dias ao ouvido: acredita. (E eu faço tudo o que os meus 15 anos me dizem, porque sei que no fundo eles ainda vêem o mundo com o coração)

quarta-feira

Vulgam que tenho cara de má...

"Sou pouco dado a deixar que entrem na minha vida de forma mais intrusiva. Sou pouco dado a mudar de expressão que me toca em pontos que não quero deixar expostos. Sou pouco dado a palavras que não gosto. E pouco dado a gestos com que não simpatizo.
Nas poucas vezes que me dou, sem um sorriso mostrado vezes demais para terem descoberto que sendo meu não é o que procuram, sou genuinamente mais feliz por ter encontrado do outro lado quem também sorri comigo numa espécie de sorrisos de segredo. Daqueles que só se mostram a alguns que o merecem. Mesmo que só naquele instante.
É complicado não sorrir como todos conhecem. E mais complicado é escolher em que momento devo sorrir de outra forma a alguém. Mas atiro de lado como a pedra para o lago ficando na expectativa de poder fazer os 7 saltos que anseio desde criança." Pedro Sadio
Uma vez conquistado jamais voltará a ser meu...

sexta-feira

Talvez seja eu...

Pornografia pode ser alcançada de muitas formas, mas quando falamos de erotismo não poderia estar mais de acordo...

quinta-feira

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
(num mundo social de gente perfeita talvez seja preciso por vezes as pessoas acordarem para a vida real)

Há dias...

Por vezes temos tanto barulho na cabeça que só nos apetece que nos passe um comboio por cima para levar todos os barulhos consigo...
Imagem retirada da internet

Forte ou ferro

Um dia alguém inventou que eu era forte. forte na vida, aguentas... e quando não se aguenta faz-se o que? chora-se no chão da casa de banho para ninguém ouvir? já fiz isso... enrolamo-nos na cama depois de um duche quente? já fiz isso... liga-se para um amigo a meio da noite? já fiz isso... o que é ser forte afinal? para mim ser forte é permitir-te sentir, gritar e dizer ai quando doi, ir ao fundo limpar tudo, lavar as mágoas, mas todas e reconstruir-te, com cicatrizes e amolgadelas, mas que nunca te impedirão de Ser... é aprender com aquilo que a vida nos dá, que nós lutamos por manter e com aquilo que a vida nos rouba... neste sentido sou forte, ainda não limpei todas, as mais fundas ainda têm uns cantos sujos, mas continuarei a fazer por isso, porque ser forte não é um ponto, é um processo... não se vê a olho nu... o que há mais para aí são armaduras, baratas, mas pesadas e cheias de merda... um dia enferrujadas não sobra nada... não és de ferro, nem queiras... carninha da boa, trata bem dela que até ver é única.
                                    Imagem retirada da internet

quarta-feira

O que é isso do amor afinal?

Acredito que o amor existe para sermos mais felizes, mais felizes do que somos sozinhos... acredito que o amor não nos pode roubar a calma e a alma... acredito que só vale a pena se for para valer, a dar tudo, a amar até ao tutano do osso... acredito que existe para nos fazer crescer, para nos tornar melhores, para nos carregar quando não temos forças, para nos mostrar como se faz certo, para nos acarinhar nas horas difíceis e nos fazer sorrir... para rirmos em conjunto quando a vida vai bem, quando tudo está no ponto, no gosto, na temperatura...
Não acredito em amores que nos roubam, nos assaltam, que nos matam aos poucos... não acredito em penduras, em parasitas... não acredito em gente que não sabe Ser, mas que quer ter, ganhar, vencer... não acredito num amor não dedicado, não preocupado, ausente, à espera que passe... esses amores, que nada têm de amor, a única coisa que nos acrescentam é uma sensação de diminuição...
acredito que pessoas que "amam" assim, não se amam, não se valorizam e a única coisa que querem é diminuir o outro à sua dimensão. assim como um homem que bate numa mulher ou uma mulher num homem, qualquer agressão, verbal, sentimental, aliada à mentira, nada tem de amor, mas sim de falta de cérebro... como compreendo quem não consegue sair, quem não tem força para bater a porta, quem não consegue ficar sozinha... já sente que vale tão pouco, como ter força para lutar por mais? sim, mereces mais, mereces por ti, pelos que te amam, pelos que lutas todos os dias... mereces porque és gente com vontades, desejos, que tem direito a ser amada em bom, aquele amor que é de verdade, onde se despe a camisola, as calças e toda a merda agarrada para os poderes ir buscar onde tiverem. e sim, isso é aquilo que eu acredito... muitos me chamam de irrealista por querer um amor assim e não me bastar as migalhas que o outro está disposto a dar. se pões o avental todos os dias, amassas a massa e és capaz de fazer pães maravilhosos, nunca, mas nunca te contentes com migalhas...
O amor para mim é feito de farinha, água, sal e fermento, amassado a dois, sujos a dois e comido a dois... se não for assim, não é preciso que uses avental, deixa que eu faço pão sozinha... afinal sou filha de padeiro.

Porque construímos relações?

as pessoas encontram-se pela vida, esbarram-se por querer, sem querer, mas sempre por escolhas de caminhos que se fazem... mas nem sempre, ou na maioria das vezes isso conduz a uma relação, seja ela de que intuito for: trabalho, amizade, paixão, amor, cumplicidade, entendimento, zanga, raiva, ódio... mas há um momento em que esse encontro se traduz e se projecta em algo que não existia antes. e como é que isso acontece? escolhe-se? sente-se? impõem-se? quando decidimos que queremos isso? porque presumo (infantilmente, por ventura) que se escolhe... porque quereríamos nós nos apaixonar, serve para quê? ou trocar trapinhos ou apenas fluidos? é uma necessidade, uma urgência, uma decisão? teremos nós apenas medo de não ter com quem trocar, seja o que for... uma conversa, um toque de mãos, um par de estalos? poderíamos viver a vida sem nos relacionarmos, ou seja, agindo apenas, sem sentir coisas por de trás dos actos... é uma forma de estar na vida (talvez um pouco psicopata/sociopata) que nos protege de arranjar cicatrizes parvas e dores onde elas não existiam antes... é como decidir fumar um cigarro e ficar com catarro... é estúpido! mas a malta fuma que se farta... e escolhe e quer e continua... será assim o mecanismo relacional? se precisas de dar uma queca dás e vais à tua vida, sem essas merdas de dores e arranhões (de alma, quero eu dizer)... mas não a malta quer bem mais, quer ENVOLVIMENTO, SENTIR COISAS, ENCANTAR-SE, AMAR, DESILUDIR-SE... e depois queixam-se das escolhas que fazem... fazem?
no final de todas as contas feitas porque nos relacionamos? qual o ganho que nos mantém, que nos sustenta a vontade de querer?

Comum/Raro








(…) o que pode ser comum sempre terá pouco valor. Em última instância será como sempre foi: as grandes coisas ficam para os grandes, os abismos para os profundos, as branduras e os temores para os sutis, e em resumo, as coisas raras para os raros. Nietzsche em Além do bem e do mal.













Imagem retirada da Internet

Colo





chego a casa devagarinho, ponho a chave na porta com cuidado... silêncio... respiro todos os cheiros que nela habitam, fecho os olhos e ouço as gargalhadas que se ausentam... sorrio... de novo o silêncio... suspiro... acendo o incenso, ligo a música... vou à cozinha e abro uma garrafa de vinho... escolho o melhor copo, aquele grande e oiço o líquido a espalhar-se pelas paredes... ligo a torneira no quente e deixo a espuma se formar... tiro peça por peça... hoje só as duas, precisamos de nos encontrar por vezes, pôr a conversa em dia, dar-te uns puxões de orelhas e muito colo... deixo-me permanecer até os cheiros, os gostos, a temperatura começar a fazer efeito... enrolo-me na toalha e adormeço... só tu te podes dar aquilo que queres, nunca esperes de mais ninguém, apenas de ti mesma e permite-te um momento em que tu e tu se encontram para uma conversa de almas...