terça-feira

Falta de paciência

Sofro de falta de paciência... custa-me o tempo que tudo demora, para começar, para acabar. O meu limite à frustração é de tal forma pequeno que fico encurralada qual algo corre menos bem... fico zangada comigo, fico triste com a realidade... falta-me o ar. Imagino o pior dos cenários e fico cansada de mim. Apetece-me fugir... mas para onde?

quarta-feira

Gosto

Gosto de limpar... Não a casa... A vida, a mente... Passamos anos a acumular, a juntar tudo o que nos vamos cruzando e muitas pessoas se esquecem de limpar, de arrumar em gavetas, de encher sacos de lixo, em doar o que já não nos cabe... Talvez seja porque tenho pouco espaço que o sempre fiz, preciso de espaço para coisas novas, bonitas, luminosas... E quando temos a nossa "casa" demasiado suja não há mais espaço para receber o que de belo nos vamos cruzando... Não há lugar para perceber o que temos dentro, tal é a confusão... Gosto da "fascina" mental, faz-me sentir inteira, faz encontrar maravilhas perdidas e criar espaço e tempo para o que a vida nos mostra quando estamos limpos... Não é uma questão de final de ano, são finais de ciclo que vamos com o tempo aprendendo a fazer... Há momentos que temos de parar e olhar bem para dentro e resolver o que queremos guardar, carregar, preencher... Acho que é algo que me tornei expert... Uau... Está na hora da próxima... E há tanto para limpar... Foi um ciclo rico de aprendizagem... E de tanto que entrou tenho muito que quero guardar naquele lugar especial, outro tanto que vou doar e muito que não se doa a ninguém... Talvez só mesmo para a reciclagem... Quem sabe não dará um candeeiro ou um cobertor no final. Gosto de isto em mim, porra!

terça-feira

Passei a noite a pensar no que me tira a paciência...

as vezes que fecho os olhos e tranco os ouvidos para o que me cansa... a quantidade de imagens que ficam gravadas de gente que afirma e desafirma fazendo... desajustes constantes de quem diz querer fazer diferente e quando se observa tudo é igual... gente que critica e se esquece de se ver... gente que goza com o que já foi com um ataque de amnésia constante... falta paciência... para ver e não querer... como uma violação... pessoas paradas como cães à espera do dono, onde a vida existe para se queixarem... pessoas com prazer em gozar o tanto que por dentro são e não vêem... cansada de vozes que falam alto para se ouvirem, de gargalharem a mais profunda tristeza dos outros... pessoas perderem tempo com... tempo... perderem... pessoas... cansada... paciência... (se em algum momento te identificares é bem possível que seja para ti, haja paciência)

segunda-feira

*de alguém que neste momento já não tem pele de tanto que arrancou

Há momentos em que precisamos que arranquem a pele por nós, que nos mostrem o céu que não vemos, que nos limpem os olhos, que nos acendam a luz quando o túnel está escuro, que nos mostrem caminhos seguros... Quando assim não é, não é. só temos de aceitar o que é, esfolar os joelhos que houver para esfolar e descobrir caminhos de mãos dadas a nós mesmos. como diz uma alma pequenina, mas muito grande: é a vida. 

sexta-feira

Estou zangada com as pessoas

Estou zangada comigo... Estou zangada... Se calhar não estou zangada... Estou triste... Estou desiludida, isso, desiludida. Desde de pequena que acredito que as pessoas são boas, verdadeiras, honestas, que se dermos o melhor de nós os outros tornam-se pessoas melhores também... Foi isso que aprendi quando era pequena, foi com essa profunda convicção que cresci e foi assim que senti as primeiras "des-ilusões"... Nunca fui perfeita, já falhei, muito... Mas sinto profundamente que não percebi no momento que o estava a fazer e muito poucas pessoas me disseram: "estás errada, estás a fazer mal, podes fazer de outra forma, assim ou de outra maneira, isso que fazes pode magoar-me". Pergunto-me tantas vezes porquê? Dá muito trabalho mostrar outros caminhos? Exige muito "perder" tempo a abrir os olhos a quem no momento não vê? Talvez seja unicamente ingenuidade minha acreditar que há pessoas que não se importam de "perder" o seu tempo a mostrar aos outros diferentes possibilidades, outras opções, outras realidades, outras perspectivas... Dá trabalho sim, levamos pancada por vezes, mas depois, o ver desabrochar do sorriso vale cada minuto... Faltam pessoas que sintam cada minuto como um ganho, um ganho de um sorriso, um ganho de uma vida melhor, que não é a nossa, mas é de alguém tão importante como nós... Gostava de viver num mundo assim, onde as pessoas são felizes também porque os outros o são... Gostava mas não posso, pois isso é um ínfimo... Não desisti ainda de encontrar esse mundo, ou esse bocadinho de terra onde a vida era como no Principezinho... Talvez ainda encontre a nave que me leve até lá..

quinta-feira

Feia

A vida é feia tantas vezes... É cansativa, seca, falsa, hipócrita... um pouco como as pessoas, um espelho de tanto que nelas habita... perco-me a observar, os passos, as escolhas, as palavras, os gritos, os gestos, as atitudes... os medos escondidos na coragem de quem não olha para o lado... e a vida corre, despenteada, não de prazer, mas de ausência de senso... como olhar para ela e a ver com olhos de a quem a sonha bela? Feia... Triste...

quarta-feira

Ela

Quando deixaste de ser tu? Em que momento a menina esquimó de cabelos e pele escura deixaste de ser tu? Em que passo te distanciaste dela? Em que escolha a sufocaste? Em que noite a abandonaste? Em que buraco a escondeste? Em que nevoeiro a perdeste? Com que tinta lhe roubaste as impressões digitais? Em que esquina lhe furtaste a segurança? Escuta, ela está a chamar por ti... está perdida e tu és a adulta da parelha, tens de a encontrar. Leva um cobertor, ela diz que tem frio. Passa na mercearia e leva laranjas, ah e um girassol, ela adora, lembraste? Fá-la sorrir. Ela precisa de sorrir. E do cobertor e das laranjas e do girassol. E de ti. Não precisas dela? Já nem sabes o efeito do girassol

terça-feira

Controle à parte

Quando a saúde nos falha e o nosso corpo deixa de responder, percebemos que não controlamos nada, que há coisas que não estão nas nossas mãos encontrar solução, que há decisões que não são nossas e quando travamos batalhas que não nos pertencem podemos estar a matar-nos aos poucos. Ficamos demasiado pequenos, e é no momento dessa pequenez que percebemos que temos de cuidar do que está realmente nas nossas mãos e deixar tudo resto acontecer, como tiver de ser. Nada acontece por acaso e há um momento na vida que conseguimos ver o que é mais importante. Que todos os sustos que a vida nos oferece sejam momentos que nos tornam mais perto de nós próprios e nos permitam fazer escolhas, escolhas por um amor maior.

segunda-feira

Pergunto-me para quê, sim para quê?

 O porquê já não preciso de responder, mas o para quê continua a cutucar-me... Não encontro resposta ou já me cruzei com ela sem vontade de a enfrentar. No dia em que o para quê sair do armário, de onde já tirei o porquê e o como, já nunca mais nada será como antes, sim eu sei que é isso, então porque não me consigo encontrar com o para quê?

sábado

Ela saiu a correr do bar e deixou tudo para trás,

as saudades do tempo que poderiam ter vivido, os olhos molhados que pousam na foto que a parede cansada ainda mostra. Não desistiu, ao contrário do que as vozes da ignorância gritam, escolheu o caminho que teimam em afirmar de louco. "Loucos são vocês, aí sentados nesse bar, a olhar a mesma foto e a falar das saias curtas e olhos vazios que desfilam." Ela queria mais da vida. "O que queres mais?" " Nunca irias perceber, pois apenas vês o que as palas te permitem ver. Fecha-te na caverna, pois só saberás viver no mundo das sombras, nunca aguentarias ver o sol que busco ver. Tu aí és senhor, pedir-te mais é loucura, minha. Só não me peças para ficar, preciso de sentir o sol, a chuva, o ruído, a magia, a fantasia, o vento. Não entendes pois não? Tal como não entendo como te chega ficares aí..." E essas foram as suas últimas palavras que se ouviram em eco naquela sala vazia ou cheia, depende de quem a olhava...

sexta-feira

Em construção

Não sou uma pessoa de passado nem de futuro, sou uma pessoa de presente arrastado... A paixão é o sentimento dominante na minha vida, quando ela surge, seja pelo que for, torna-se algo que me faz respirar, fazer por, mexer-me, querer mais e melhor, alimento-a, rego-a, envolvo-a e ela passa a fazer parte do meu ser. Tudo se complica quando por alguma razão nos magoamos, eu e a paixão que vive em mim. Converso com ela, muito, damos cambalhotas juntas e depois de muitas lágrimas, passo a viver com o suporte de vida para tentar fazê-la recuperar das várias paragens cardíacas que vai tendo... Tenho dificuldade em a deixar ir, arrastando-a ao colo mesmo quando ela já quase não respira e sofre... Poderia praticar eutanásia, mas mesmo depois de 38 anos, ainda não o consigo fazer... Depois de ela partir e ficar no passado, tudo fica tranquilo novamente mas até passar a linha, vamos claudicando doridas e cansadas... Tudo deveria ser como as andorinhas... Estão felizes e partem felizes, simples assim...

quinta-feira

E zás, já estava tudo no chão novamente.

 Porra, é o primeiro dia depois de uma longa ausência, as mãos tremiam, queria que corresse tudo bem. Durante o caminho na ponte prometeu que tudo iria ser diferente. Não gostava de faltar ao prometido, mas nem a maquiagem cuidadosamente planeada conseguia escolher os medos em cada centímetro da sua pele. O João entrou com aquele olhar que só ele conseguia ter, passou-lhe a mão no ombro e sussurrou ao ouvido: "respira, vai passar num instante, bebe um cole de água e começa de novo, tu és a melhor pessoa que eu conheço a arranjar o que está quebrado, vai ser canja." Ela soltou um suspiro, misturado com um sorriso, levantou-se e começou de novo.

quarta-feira

Quando somos pequenos temos muitos sonhos, desejamos ser tanta coisa e uma dela é ser crescidos. Que tontice, que graça tem ser crescido? O meu sonho é ser bruxa, só elas têm uma vassoura voadora... Poderia sair de madrugada pela janela e ver o mundo por cima dos prédios, olhar para baixo de longe, mudando a perspectiva de quem ao mundo não está colado... Não sei se quero ter uma verruga, mas quero sentir o vento na cara e reconhecer cada luz na distância. Viver despenteada e escolher o melhor chapéu preto, daqueles em bico que só elas usam, condizem com a vassoura. Esta noite vou sonhar contigo, talvez me leves bem alto aquele sítio onde juntas fazemos a festa, e rimos até doer a barriga, sabes como é? Eu mostro-te como gosto de ver o mundo e tu ensinas-me os loopings, só eles fazem-me rir como as nossas gargalhadas. Bons sonhos e até já

terça-feira

Era uma vez um mágico...

...que todos os dias entrava no seu escritório de paredes brancas, sentava-se na sua cadeira preta e olhava para o papel branco com a frase: "a vida pode ser (espaço) ou (espaço), tu escolhes!" Ele agarrava no seu carimbo redondo e zás, zás, colocava o M em cada espaço e sorria, trabalho perfeito. Mudava a folha e lá estava outra e o som ouvia-se novamente: zás, zás e logo de seguida um sorriso. O dia continuava assim acompanhado do sorriso a cada duplo som. Agora ouvia-se um som diferente, o apito de final de dia. Arrumava o carimbo e as folhas com espaços na gaveta e corria para casa. No caminho apanhava o metro e sentava-se na janela junto ao senhor de fato preto, aquele que o ensinou que não só os mágicos o vestem. Os óculos o fizeram denunciar, nenhum mágico os usa, apostava que seria feiticeiro, todos guardam segredos e fórmulas e... óculos. Não percebia o fato preto, mas havia-se resignado. A senhora de cabelo branco nunca lhe trouxe dúvidas, entrava todos os dias de guarda chuva, fizesse sol ou chuva incapaz de enganar um mágico! No momento da saída imaginava o caminho que percorreriam e sorria. A barriga já dava horas quando a chave rodava a fechadura. Lá dentro a sua esposa imaculadamente vestida de branco o esperava no meio de tachos e panelas, cozinhava maravilhosamente, um dia fazia arroz de pato, outro dia pato com arroz. Ninguém cozinhava assim, pensava ele ao lhe dar um beijo de boa noite. Os filhos corriam para ele com um beijo e o relato de um dia perfeito, sentavam-se à mesa, agarravam nos talheres e comiam cada garfada até o prato ficar sem resto para contar história. Lavam os dentes e iam para a cama, assim como ele, precisavam de descansar de um dia magnificamente perfeito. Vestia o seu pijama de riscas, olhava a sua esposa que já trajava a camisa de noite branca e dizia-lhe: tens de descansar ao mesmo tempo que lhe dava um beijo na testa de boas noites. Assim era todos os dias até àquela noite em que ela lhe perguntou: trouxeste magia? Não entendeu. Não era isso que acontecia todos os dias? Como ela não entendia que a cada carimbo era isso que ele desenhava para ela? Ela respondeu: tu escolhes o M errado todos os dias e sem o outro M já não consigo fazer desenhos de outra cor. Olha para nós, precisamos de ti, tu és o mágico! Olhou para ela, deu-lhe outro beijo na testa e pensou: "as mulheres são seres tão insatisfeitos..." Sorriu e pensou: "zás, zás... Perfeito."

segunda-feira



Não acumules silêncios, não guardes as emoções numa mala, faz ouvir a tua voz, grita de vez em quando.

sexta-feira

Cascas e outras

Dias cinzentos, dias menos bons, onde se tiram energias onde já não existem. Cansada, exausta, retirei a palavra luta do meu livro de cabeceira, rasguei mesmo a página, amachuquei e coloquei na parte mais funda do lixo. Porque que raio inventaram essa palavra que só nos cansa? A vida não pode ser isso, a vida é mágica, pelo menos foi aquilo que li no outro livro de cabeceira quando ainda agora tinha começado a juntar as sílabas. Direita, esquerda, espera vai em frente, volta atrás que por aí não tem saída. Percorrer, contornar, lá não falava nada de machados e martelos, era tudo fluido. Quem manda pegar no martelo? Dá a volta e contorna, quem sabe o muro não termina logo ali junto à cabeceira que falava de viagens e não de palavras que se escondem debaixo de cascas de laranja. 
RB

quinta-feira

Amanhã será apenas só amanhã.

Estupido como continuo zangada contigo. Zangada mesmo, daquelas zangas que não escolhemos mas que nos perseguem... Pergunto-me porquê? E lá no fundo não consigo ver a razão. Pelo menos de forma nítida. Noutro dia estava num concerto e ao ouvir uma música zanguei-me contigo. Vi o teu sorriso e ainda fiquei mais zangada. Lembrei-me de te chamar estúpido, mas quando abri os olhos já lá não estavas. Só o teu sorriso e aquele desviar de olhar que fazes quando percebes perfeitamente o que está a acontecer. Foi aí que me zanguei novamente. Fechei os olhos e deixei a música fazer o seu trabalho. Quando regressei, estava zangada mas sorria e relembrava o que os sorrisos podem fazer nas vidas. Ainda estou zangada, ainda te preciso de dizer. Quando deixar de precisar já não te digo, está bem? Hoje sinto frio, enrolo-me na manta e bebo café. Só hoje, está bem? 

quarta-feira

As minhas pessoas

Sabe bem quando encontramos pessoas interessantes, dizem alguns "a nossa santa se cruza", daquelas pessoas que a conversa flui, que nos puxam, assim como acontecia na meninice, nos agarravam pela mão e inventávamos castelos e piratas, cavaleiros e dragões com um monte trapos e paus que se enchiam de pó não fossemos nós os maiores imaginários do mundo. Gosto quando conheço gente assim, que fala que nem gente, sorri que nem gente, olha que nem gente, nos olhos, assim olho no olho, assim real, cheios de vida dentro do peito, de um mundo tão rico de tanto que vivem e sonham viver. Gosto de pessoas que vivem, que se dão e nunca adormecem na vida. Pessoas que nos ensinam que temos tanto para aprender e que nenhuma porta se fecha definitivamente mesmo quando a teimosia a enferruja. Gosto de rugas na cara e magia no coração. Gosto de gente que cheira a gente e que me transforma todos os dias em alguém melhor. Gosto da minha gente. Daquela que não precisa de ter, mas de ser. E como ouvi há muito tempo: "eu quero mais é ser feliz"

terça-feira

NÃO!

Já dizia Einstein, todas as vezes que dizemos que sim quando queremos dizer não morre um bocadinho de nós. E morre mesmo, o teu amor próprio, o teu prazer, o teu ser, morres tu. Alugam-te, abusam-te, desrespeitas-te... Ocupas a tua vida de ocupas que apenas vivem porque te vão roubando bocadinhos da Tua vida. Deixa as mil tarefas, obrigações e vontades que não sendo as que queres no momento podem aguardar, ficar guardadas ou executadas por quem as deseja. Foco é isso, não deixes que nada nem ninguém te manipule, te conduza, que leve a ser aquilo que não és. Foco, é viver a vida que queres viver e que ninguém o viverá por ti. Foco és TU.

segunda-feira

Quando olhas o que vês?

 Estou zangada. Não, não é contigo, quero resolver isto, quero me relembrar como era antes de estar! Quantos degraus vês? São esses? Tu vês? Tens a certeza? Mostras-me? De mão dada e olhos fechados vou devagarinho. Se não tiveres a certeza pelo menos descemos juntos, sei que não me deixas cair. Está bem, contigo também me levanto e encontramos o espelho juntos. Deixa só eu respirar e deixar o medo passar. Não me largues a mão, está bem? Só até o medo passar.