terça-feira

Impotência

O punho serrado contra porta, faz estremecer os mais incrédulos.
A fenda redonda deixa vislumbrar a temida chegada.
A força com que bate, não deixará a barreira de pé.
Olho a janela, o precipício não permite que fujas.
Estendo-te as mãos vazias de solução, deito a minha cabeça por cima da tua, aferrolho os olhos e deixo correr a última lágrima por cima dos teus cabelos já cansados.
Despeço-me de ti, caminho para a porta e deixo o intruso entrar.
Fecho a porta e percebo, foi a última vez que te vi.

Ignorância

Aconchegada à janela, as arvores galopam, misturando-se com os rios.
Devagarinho a imagem torna-se mais nítida, mostrando o óbvio.
Desce as escadas mal as portas se abrem e pisa a terra molhada, que o Inverno ostentou.
Como conhecia aquele cheiro…
Ao longe uma figura esbelta, de rosto fechado caminha em sua direcção.
Espera sem mover as raízes que trouxeram aos tempo de outrora.
A recusa desponta num feito brutal, fazendo anular a razão.
Antes das portas se fecharem, corre e avassala o seu interior.
Vê a figura se trasladar e a paz fugir
A insipiência auferiu.